Thomas Williamson, CEO da Grove Street Games, concordou com as reações negativas do público, mas revelou que as métricas internas mostraram um cenário diferente.
É quase impressionante pensar que, 17 anos após o lançamento de Grand Theft Auto: San Andreas, as aguardadas versões remasterizadas do título, de GTA 3 e de Vice City acabaram se provando a pior maneira possível de reviver esses clássicos. Convenhamos: para muitos jogadores, era melhor tirar o hardware original do armário do que se arriscar em Grand Theft Auto: The Trilogy - The Definitive Edition.
Mas, apesar da enxurrada de reclamações na internet, parece que a maioria das pessoas que comprou a coletânea acabou se divertindo. Pelo menos é o que garante um dos principais envolvidos no projeto.
A empresa responsável pela Definitive Edition foi a Grove Street Games (embora a Rockstar tenha removido o logotipo do estúdio dos menus do jogo em uma atualização recente). Em entrevista ao site wccftech, o CEO do estúdio, Thomas Williamson, admitiu que concorda com as críticas dos jogadores, mas ressaltou que os títulos tiveram muitos fãs.
"Eu concordei com a maioria das reações das pessoas. Mas, infelizmente, sinto que não concordamos com a forma como o jogo foi lançado e com a resposta a ele do lado do desenvolvimento", explicou Williamson. "E acho que isso teria mudado a narrativa significativamente."
Os dados mostram o contrário?
Segundo o executivo, as métricas internas do estúdio mostraram que os bugs não desanimaram a galera de tocar o terror por aí controlando Tommy Vercetti ou CJ. "No fim das contas, olhando para as métricas de bastidores desses jogos, havia muitas pessoas jogando e realmente curtindo", acrescentou o CEO.
É fácil ser um pouco cético em relação a essa afirmação. Contudo, é totalmente compreensível que tenham existido divergências nos bastidores sobre lançar os jogos no estado em que estavam. Ninguém sabe melhor o quão bugado um jogo está do que os desenvolvedores que trabalham nele o dia todo, especialmente com um prazo de lançamento apertado batendo à porta. Essa é a dura realidade para muitos na indústria de games.
A treta com a Rockstar
Williamson já havia vindo a público para falar sobre os atritos com a Rockstar em relação ao tratamento das correções e à remoção do nome da Grove Street Games dos créditos principais.
"É muita sacanagem remover os desenvolvedores principais dos créditos em uma atualização, especialmente quando essa atualização inclui centenas de correções que foram fornecidas por esses mesmos desenvolvedores e que ficaram longe das mãos dos jogadores por anos", desabafou ele no X (antigo Twitter) na época.
Dizer que o estúdio estava recebendo um feedback de que a maioria das pessoas simplesmente "não ligava" para os problemas pode ser um certo exagero. Afinal, foram necessários anos e incontáveis patches de correção para que a coletânea se tornasse mais estável e perfeitamente jogável.
Não há dúvidas de que uma parcela do público mais casual ficou feliz apenas com a dose de nostalgia que os jogos proporcionaram. Mas será que "muita gente" achou a experiência excelente no lançamento? Aí já é difícil de acreditar.
O Futuro dos Remasters
Seja qual for a verdade dos bastidores, Williamson parece ter feito as pazes com toda a situação e acredita que, se os fãs quiserem remasters realmente impecáveis, a iniciativa terá que vir da própria dona da franquia.
"Não acho que jamais haverá um 'redux' perfeito desses jogos que não seja feito pela própria Rockstar", avalia ele. "Se a equipe da Rockstar North assumisse o projeto e fizesse algo insano, seria incrível."
Quem sabe isso aconteça depois do lançamento de GTA 6? Ou seja, lá para meados de 2030 e pouco. Até lá, talvez seja mais seguro continuar jogando no bom e velho PS2.
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